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13 de Dezembro de 2017

Tratamento entre Juiz x Advogado

Um breve relato de uma advogada iniciante.

Débora Dias de Araújo Guzzo, Advogado
ano passado

Tratamento entre Juiz x advogado

Por diversas vezes ouvi a famosa expressão: a advocacia não é profissão para covardes.

Não me considero uma advogada covarde, mas me sinto fragilizada e impotente em alguns momentos em que advogo.

Antes de começar a advogar, havia aprendido sobre urbanidade e respeito entre juízes e advogados, e sonhava com audiências em que houvesse cordialidade e muito respeito entre o ‘triangulo processual’ (ator, réu e juiz).

Quando escutava colegas comentando que haviam sido humilhados por juízes, ou que tiveram cerceamento de defesa, etc. Etc. Seriamente eu acreditava que era mentira, ou simplesmente exagero.

Esse pensamento era até eu vivenciar situação semelhante.

Costumava advogar para empregado, raras vezes advogava para empresas. Até que uma empresa me contratou para realizar algumas defesas referentes a Reclamatórias Trabalhistas, em que restou comprovada má fé do Reclamante.

Em todas as audiências que havia feito até então, sempre houve muito respeito entre as partes, jamais houve ‘estrelismo’ por parte de advogados ou de juiz algum. Sempre estive satisfeita por isso, e por esse motivo que não acreditava no que outros colegas falavam.

Em determinada audiência que realizei para a determinada empresa, desde o início a juíza deferiu as conhecidas ‘patadas’, desde o momento de tentar conciliar até o final da oitiva de testemunhas.

Senti-me constrangida e impotente.

Não permitia que eu fizesse perguntas de extrema relevância, e me corrigia como se fosse uma criança mal educada. Me senti como um lixo diante do meu cliente.

Acredito que todos que assistiam à audiência ficaram com pena de mim, pelos olhares que vi das pessoas que cercavam.

Não houve em momento algum erro grotesco que justificasse a grosseria e falta de respeito, embora se dirigia a mim de forma mansa e sarcástica.

E o que eu poderia fazer senão ignorar tal fato? Fingir que não era comigo ou simplesmente concordar com cara de satisfeita?

É situação delicada, e mesmo que a Lei prevê que o tratamento deve ser de igual para igual, nós advogados (na grande maioria) não possuímos coragem para combater ou se manifestar na própria audiência.

Confesso que fiquei mal, mas lembrei da frase mencionada acima: ‘advocacia não é profissão para covardes’.

Não é ‘mi mi mi’, ou ‘choramingo’ de advogado iniciante, é a indignação pela falta de urbanidade e respeito.

Mas também penso, não ‘somos tapetes’ para sermos pisados, enfim.

Não sei ainda se procurarei a OAB local. Mas sei que a nossa profissão exige respeito, seja por sermos novos advogados ou por ser aquele advogado mais velho no mercado. Temos de ser tratados com urbanidade, respeito e dignidade!

Você colega, já vivenciou algum caso parecido? Deixe sua experiência aqui nos comentários!

Imagem:http://coachingparaadvogados.jusbrasil.com.br/artigos/146163563/briga-em-audiencia

6 Comentários

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Débora. Faça "DIREITO!"
Sim, nem tudo que é justo é Lei e vice-versa.
Se o teu relato continua (na prática) o que há de ser?
Mantenha firme na sua fé. De que estudou MUITO (assim como milhares)
inclusive magistrados e assim como obrigações tem direitos.
Veja"ípsis líteris" como conduzir (e à quem) o comportamento desse DES-nível.
Você relatou; já deu um primeiro passo. Não recue Você já foi muito corajosa até aqui.

Abraço
Juanita continuar lendo

Obrigada pelas palavras, seguiremos em frente e lutando cada dia mais pela advocacia brasileira!

Um abraço! continuar lendo

Bom dia Débora, fantástico o seu relato e a experiência creio estar sendo única, incrivelmente você suportou com resignação e auto-controle, coisas que não "sabatinam" nas faculdades diversas...Percebo que preciso me preparar do "zero" mediante a sua experiência desagradável!! Me resta somente lhe parabenizar "por tudo" você foi simplesmente fantástica mediante tamanha falta de senso,respeito e ética profissional quando agredida de forma velada e sarcástica em pleno exercício de suas funções!!.....Parabéns e obrigado por dividir essa preciosa vivência, realmente mudou e muito a minha visão... continuar lendo

Obrigada Colega!

Espero ajuda-lo com a minha experiência, confesso que não foi nada agradável.

Qualquer dúvida que tenha, estou a disposição para auxilia-lo!

Um abraço. continuar lendo

Doutora Débora.

Sou Advogado iniciante já estou a três anos , nesta árdua luta que é a Advocacia, já passei muitos percalços, mas espero um dia em que tanto o Judiciário como o Ministério público, respeitem mais a honrosa classe de Advogados do Brasil, pois como diz bem nosso estatuto não há distinções entre ambas as classes, pelo menos é o que ta escrito.

Mas mesmo que eles tentem fragilizar a grande Ordem, que somos nós, jamais vamos nos calar diante de quem quer que seja, somos uma grande família e temos que está unidos para nos defender quando nos sentirmos indefesos mediante as grandes arbitrariedades que juízes cometem Brasil afora .

Grande e fraterno Abraço... continuar lendo